Um belo dia resolvi mudar…

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Era assim que eu me sentia por dentro antes de vir pra cá. Trânsito infernal todos os dias, pessoas à beira de um ataque de nervos por detrás do volante, gasolina por um preço absurdo, clientes cheios de dinheiro na conta e inacreditavelmente pobres de espírito, hipocrisia empresarial, funcionários com PhD em puxar o tapete dos colegas, pessoas vazias e desesperadas buscando um preenchimento em vão, competição de quem ganha maior salário e tem o carro mais bacana e celular mais caro, relacionamentos falidos usados como muletas emocionais, cobrança por fazer parte de um projeto sociedade machista e totalmente fake, intolerância religiosa… SOCORRO! Meu Deus,  o que é isso meu pai? Isso não é o meu mundo.
Eu ainda não sabia que era isso que eu sentia, mas eu sabia que algo me incomodava.  Um sonho é impulsionado pela vontade,  mas na maioria das vezes é preciso sentir algo por dentro que dê o gás necessário pra acordar as 4h, enfrentar um dia de cão e ir dormir mais de meia noite.  Não era só o sonho do intercâmbio,  era meu espírito, meu corpo, minha alma falando: “pelo amor de Deus, menina.  Sai daqui! Faz alguma coisa e vaza!”. E pensando bem,  era isso mesmo, porque quando eu não tinha forças físicas pra levantar de manhã e enrolar brigadeiros,  minha mente me atormentava até eu levantar, quando eu ficava triste porque a tentativa de relacionamento dava errado, meu espírito claramente falava “fica de boa,  isso não é pra você, o que é seu tá vindo em breve”. Quando minha mente tentava me convencer que se eu fosse embora ia perder os melhores anos da vida dos meus amigos, minha família e do meu cachorro, meu corpo tinha uma força descomunal pra trampar 12h,  dirigir 2h30 todos os dias ainda ter tempo de fazer brigadeiros.  Era o tripé perfeito dizendo que ali não era mais meu lugar e eu precisava partir.
Hoje eu vejo que a gente pode sim ser bem tratado pelo cliente e receber sorrisos e agradecimentos; pode sim dirigir sem que alguém desça do carro e queira te bater (mesmo você sendo mulher) às 7h da manhã; pode sim morar no mesmo prédio do pedreiro, do engravatado de escritório, do militar do exército e do estrangeiro e todos eles se cumprimentarem no elevador sem preconceitos porque afinal de contas somos TODOS UM; pode sim usar a roupa que bem entender sem ser condenada pela sociedade moralista e julgadora; pode aproveitar um dia no parque e perceber que ali todo mundo tem seu valor e ninguém é melhor do que ninguém nem pela cor da pele,  nem pela conta bancária, nem pelo passaporte carimbado; pode sim ser mulher de 30 anos e sem filhos porque tem outros planos pra sua vida antes de constituir uma família. Aqui, ser você mesmo se torna mais leve e fácil, é onde um diploma e mãos macias e sapato caro não te fazem melhor do que o peão de mãos calejadas e unhas pretas e bota de bico de ferro porque o salários são os mesmos (aliás, que peãozada bonita é essa? Seriam modelos de grifes caríssimas no Brasil, mas aqui são apenas trabalhadores comuns. Deus abençoe a Austrália!).
A dica que eu dou é pra todo mundo se libertar de tudo o que te prende à um mundo totalmente superficial. A gente não nasce supercial,  a gente nasce essência e nossa essência é amor.  O amor é puro e libertador. Você quer largar tudo e vender miçanga na praia?  Vá!  Quer terminar esse namoro sem sal que todo mundo sabe que é tóxico? Termine! Quer assumir que prefere azul royal mesmo que não seja tendência?  Assuma! Quer trocar seu carro por um carro mais barato pra realizar outros sonhos? Troque!  Quer ficar em casa vendo um filme no sábado a noite ao invés de ir pra balada? Fique! Cara, a única forma de acabar com essa sociedade vazia é soltando as nossas próprias amarras. Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo, e o mundo só vai mudar quando você tomar as rédeas da sua vida e das suas vontades. Libera geral, libera geral, libera geral,  então libera… Já dizia Xuxa Verde. Um beijo pro meu pai,  pra minha mãe e pro meu cachorro.

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