2016 saiu do grupo

Hoje completo 40 dias de Austrália e faltam só 4 pro ano acabar, daí venho me dando conta de como o tempo engatou a quinta marcha e ligou o turbo, porque me lembro exatamente do dia em que no meu calendário de contagem regressiva pro último dia de trabalho estava faltando 73 dias. Esse número me marcou, não sei dizer o motivo e nem se houve algo especial nesse dia, só sei que me marcou. Talvez seja uma dica pra jogar no bicho e sair dessa vida classe C de quem vive aqui na Austrália sem emprego. De repente senti saudades do esforço de mamãe Dilma em nos transformar numa classe emergente.

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Ainda não tive oportunidade de viajar como queria, mas já conheci bastante coisa legal na cidade mesmo. E pude perceber que por aqui parece ser bem difícil sentir muita saudade de coisas brasileiras, porque eu já comi coxinha sem catupily numa festa e ouvi funk na balada logo depois de um Wesley Safadão, vi jogo do GALO no telão do bar numa manhã deprimente de derrota, comi churrasco bem brasileiro e um brigadeiro maravilhoso feito por mim, naturalmente, sem contar a quantidade de brasileiros que vamos conhecendo no dia a dia. Claro que ainda falta matar a vontade de um belo pão de queijo, feijoada e uma caipirinha bem feita, mas tudo ao seu tempo e o que eu mais tenho aqui é tempo pra viver muita experiência pela frente. E entrando no assunto experiência, nesse tempo pude ver o que é morar na Austrália longe de tudo o que te transformou no que você é hoje. Claro que se a pessoa não tem conhecimento de si mesmo e não se importa com o conjunto corpo, mente e espírito isso nem se aplica a ela uma vez que ela já leva uma vida superficial, porque aqui é pra quem é essência e não aparência. Mas nesse tempo já ouvi histórias tão diferentes da minha e vejo que cada um tem sua pequena porção de perdas e ganhos pra ter chegado ao outro lado do mundo em meio às festas de fim de ano. Eu achava que todo mundo vivia lutando diariamente em busca do sonho de estar aqui, mas pude ver que somos todos indivíduos com motivos únicos se misturando pelos sentimentos intensos que envolvem uma vida longe de casa.

Essa semana em uma conversa chegamos a conclusão que o inglês é só um brinde pras pessoas que estão mesmo é se auto conhecendo, trabalhando diariamente o psicólogo, e controlando a raiva, euforia, tristeza, dúvida, medo, insegurança, irritação, a vontade de esfregar a cara de alguém no asfalto, a vontade de beijar e abraçar todo mundo que você gostaria. Se isso aqui não te amadurecer é melhor então você cair do pé e se preparar pra apodrecer e nem perder tempo de tentar viver uma vida estampada na capa da Caras.

Como estamos chegando ao final de mais um ano, vem essas reflexões de o que você fez, o ano termina e nasce outra vez e foi isso que pude observar nesses 40 dias no meio de tanta diversão que é a vida aqui, no fundo de cada sorriso do outro tem um pesar de querer voltar pra casa, de ter medo de voltar e encontrar os mesmos problemas, de querer ficar e morar de vez, de se ver na sua própria companhia pela primeira vez e de não saber se casa ou se compra uma bicicleta… Mas estamos todos interligados porque somos todos um e o mundo, graças a Deus, da muitas voltas e no final das contas, se você ouve Mr. Catra ou Chico Buarque, é feminista ou não é nada, é coxinha ou pão com mortadela, é good vibes ou intrigueira, é do morro ou da zona sul, tem carro do ano ou anda de metrô, tem Android ou iPhone, é vegano ou adora um bacon, é hétero ou homossexual, cis ou trans, preferia a Xuxa à Mara Maravilha, aqui nada disso te diferencia porque tá todo mundo no mesmo barco e essa é a melhor maneira de você se ligar que do pó viemos e ao pó voltaremos. Na dor de barriga, meu jovem, todo mundo é igual.

Feliz 2017! ♥

Como eu me sinto quando…

Aqui tudo é muito, muito intenso. O calor é intenso, a chuva é intensa, o pôr do Sol é intenso, o vento é intenso, os raios são intensos, o canto dos pássaros é intenso… e eu tenho medo deles porque teve boatos que eles atacam as pessoas. E nessa vibe de intensidade elevada à nona potência você também entra na dança. Tudo o que você sente parece ser em realidade aumentada, porque aqui até o pão de forma é imenso e mal cabe na torradeira. Aí vem a pergunta: como eu me sinto quando…

Entro na terceira semana e ainda não tenho emprego, sinto saudade da família e vontade de ficar aqui pra sempre, tem jogo do GALO no horário da aula, vejo por vídeo no WhatsApp que meu afilhado começou a engatinhar, recebo uma chamada de vídeo da minha afilhada com a roupinha da escola dizendo que está com saudades da madrinha, percebo que ninguém chega atrasado em nada, preciso de um café urgente, não posso comer um japa porque tudo tem abacate, descubro que aqui tem um vinho que substitui o corote. Vou da tristeza, no melhor estilo Chaves em Acapulco, ao ápse da alegria em um único dia, é  muita bipolaridade num ser humano só. Um ser humano sagitariano do sexo feminino, intensidade aqui é mato. Não me venha com água morna porque ela não serve nem pra fazer café, mas se já tiver o café pronto por favor me traga um.

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O problema é que tem horas que a gente perde muito tempo preocupado ao invés de só curtir o presentão que é estar aqui. A gente tem uns mini surtos só pensando no tal do futuro, que nem existe ainda. “Será que eu vou arranjar um emprego? Será que vou conseguir um lugar bacana pra morar? Será que meu dinheiro vai dar? Será que esses asiáticos vão mastigar de boca fechada? Será? Será? Será?”. Mas daí nesse final de semana eu visitei o ponto mais alto da cidade de Brisbane, se chama Mt Coot-tha Lookout. É um pico sensacional que não paga pra entrar, da pra ir de ônibus comum e de lá você vê quão pequeninas são  as loucuras e as preocupações do dia a dia diante das infinitas possibilidades do universo. O céu tava lá maravilhoso como sempre, o vento batia deixando meu cabelo ainda mais pixaco, a cidade mais parecia uma maquete de brinquedo lá em baixo e Deus sussurrava baixinho garantindo que tudo ficaria bem. Sempre fica.

Me lembro que na época do Orkut tinha uma comunidade que se chamava “Só Saio de Casa se For Pra Causar”. Eu, filha única criada dentro de casa a leite com pêra e empinando pipa no ventilador, saí da minha, ~andei~ mais de 13mil quilômetros rumo à realização do sonho, mas ainda assim rumo ao desconhecido, sempre pronta pra me jogar de cabeça e com um turbilhão de sensações boas, sei que onde existe fé não há espaço para o medo e por isso não é hora de pirar o cabeção, então resolvi parar de sofrer de pura ansiedade e tensão e viver o aqui e agora. Meditação, oração e muito equilíbrio, acreditando que em breve vou contar que arranjei um trampo, que tô com o inglês afiado, vou gritar que o GALO foi campeão e se bobear ainda aprendo a andar de bicicleta. Porque Aquele que prometeu é fiel e justo pra cumprir. Eu acredito! ♥

Dezembro, dia 1°

Eu completei duas semanas de Austrália. Foram duas semanas em que eu realizei que estava realmente vivendo o que eu sempre sonhei. Cheguei como se estivesse em mais uma viagem de férias, até que veio o primeiro dia de aula e então eu saquei: meu, tô aqui vivendo o meu sonho. VIVENDO! E eu que até então não tinha chorado nada, senti uma vontade tão grande de desabar de emoção que precisei engolir o choro porque ali não era hora de chorar e nem lugar. Iam me perguntar o que estava acontecendo e eu ia ter que explicar e xamais conseguiria ter sucesso nisso, então não chorei. Fiquei ali vendo toda aquela gente de toda parte do mundo e pensei “espero que pra eles esteja sendo tão emocionante quanto está sendo pra mim, porque é bão demais da conta essa sensação”. A primeira semana foi bem forte, eu estava de TPM, não conseguia acompanhar as aulas, começava a me preocupar com um emprego e já descobri que não se deve pegar táxi com indianos e que asiáticos não sabem que dentes foram feitos pra mastigar a comida. Mas como Deus coloca absolutamente tudo no lugar certo e na hora certa, foram acontecendo coisas que me deixaram com a certeza que estou exatamente como deveria estar. Então, não é que eu tô há duas semanas sobrevivendo longe de todo mundo que eu amo? Tô sim! Graças a Deus, à internet e aos amigos que fiz aqui.

Eu completei 29 anos de vida. Gente, que dia! Meu aniversário durou 36h da meia noite de quarta daqui até a meia noite de quinta do Brasil. Acordei bem tibowa e depois fui caindo na real que era meu aniversário e eu não tinha marcado um evento com 1 mês de antecedência, não estava na expectativa de ver meus amigos e beber uns bons drink,  não ia receber o abraço dos meus pais. Pára a moto na BR! Gente, começou a vir uma bad loca de saudade… “A saudade é um prego, coração é um martelo, fere o peito e dói a alma” já dizia Rio Negro e Solimões, grandes intérpretes da música clássica sertaneja. Mas de novo Deus me deu tudo o que eu precisava pra eu estar bem e sentir todo amor que há nessa vida! Foram mensagens lindas e votos de felicidades, foi a paz do Senhor que tomou conta de mim, foi a vídeo chamada com os meus pais que me refez, foram os quase 7L de cerveja australiana e as companhias que me fizeram rir. A vida é O presente, a vida é UM presente. Eu amo tanto vocês que poderia ficar aqui só me declarando!

Mas por falar em a vida ser um presente, as tragédias quando vistas de longe de casa e do aconchego dos seus parece ser triplamente pior. Essa semana eu me vi sem chão, minhas pernas tremiam, eu não acreditava no que tinha acontecido. Pra quem é fã de futebol, a tragédia com o time da Chapecoense faz a gente ter vontade de voltar pra casa, faz a gente querer o abraço apertado da família e dos amigos, faz a gente ter vontade de ligar pra dizer que ama, da vontade de chorar muito por pessoas que você nem conhece… Porque futebol não é só um jogo. São vidas, são sonhos, são o sustento de uma família, são gente como a gente, mas que pela vontade de Deus a partir de agora serão só saudade e lembranças. Futebol não é só um jogo. É sensação à flor da pele, é união, é compaixão, é empatia, é amor. Quem dera se na vida a gente aprendesse a viver como no futebol! Seja fã de quem você ama, vista a camisa, torça por ela, tenha raiva quando ela perde e mesmo na raiva continue amando, fique na expectativa de vê-la novamente, cante pra ela com emoção, durma tarde no meio da semana só pra vê-la, esqueça que amanhã é dia de trabalho e vire a noite comemorando a vitória, sinta arrepio ao falar dela, sinta seu coração disparar quando ela chega e brigue com quem falar mal dela, chore por ela se for preciso, pague o preço que for para vê-la, não finja que não quer vê-la acompanhando só os resultados, porque assim como um time inteiro pode acabar de uma hora pra outra, quem você ama também se vai quando você menos esperar. Como eu disse no meu primeiro post, a vida é um sopro.

Esse post não tem foto,  porque cabe agora a reflexão de sua própria memória, a menos que você tenha Alzheimer, aí não vai funcionar. Lembre do que te faz sorrir por dentro e sinta esse amor que vem de Deus direto pro seu coração. ♥

De volta para o futuro

Foram 25 horas viajando. Eu saí de São Paulo de manhã e cheguei em Sydney ainda era dia, foi um dia eterno. Deu tempo de assistir Como Eu Era Antes de Você, vários episódios de How I Met You Mother (que eu não conhecia muito, mas até que achei bacana), vi X-Men Apocalipse e Perfeita é a Mãe. Andei pelo avião, comi, ensaiei um sono que não vinha, comi de novo, e quando começava a tentar meditar era interrompida pelo choro ardido de uma criança que parecia eu por dentro com medo de avião. Aí eu comia de novo e depois voltava a tentar dormir… Enfim, coloquei pra assistir Independente Day da nova geração e pra glorificar de pé eu DORMI! Mas me acordaram porque já era hora de pousar e tinha que preencher o formulário da imigração. Socorro, não consegui dormir nada e a amiga que eu fiz em SP na sessão de dicas da agência de intercâmbio dormiu mais que um acidentado em coma induzido. Tadinha, ela tava super nervosa e acho que ficou com o emocional meio abalado e acabou ficando doente bem no dia da viagem!

Chegamos em Sydney, ainda durante o dia porque não escureceu nunca em toda essa viagem. Quase ajoelhei e beijei o chão igual o Papa João Paulo II, porque voar não é muito minha praia não, apesar dos vôos terem sido uma paz, graças a Deus. E vamos passar na imigração e rir do agente que quebrou a caneta bem na hora de dar o OK no seu formulário? Vamos sim, porque se não é pra fazer a pesssoa repensar a aprovação da sua entrada no país, não vale a pena. E vamos passar na alfândega e ter que explicar pra fiscal, enquanto ela revista sua mala, o que é um “internacionalista”? Vamos sim, afinal eu não passei por toda aquela faculdade pra não poder preencher num formulário nessa vida que sou Internacionalista. E vamos nos atrapalhar com o inglês enquanto o policial te revista? Vamos sim, afinal ele te pergunta “como está sendo o seu dia” e você responde: thank you! Um beijo pra Wizard, Wise Up e Prof. Clara.

Aliás, um só adendo que ainda bem que no meu trabalho toda a comunicação era via email, já pensou eu explicando documentação e exigências/regras da alfândega, nervosa? Com certeza todos os meus clientes seriam presos porque eu ia falar que ele pode levar animais silvestres no embarque, que ele não precisa de nenhum documento autenticado, que ele pode embalar qualquer coisa ilícita, ia perguntar que horas são no calendário e por aí vai… Ué Andreza, mas você não derrapa no inglês mais é quando está nervosa? Pois é, manas… Daí cê veja! Agora vamos falar de coisa boa, porque isso é passado? Vamos falar de dormir e acordar no paraíso. Alô alô, graças a Deus! Eu dormi tanto depois que cheguei aqui que perdi a hora de tudo o que eu precisava fazer. Só consegui ir ao supermercado e ainda fui humilhada pela menina do caixa que parecia uma Miss enquanto eu estava no bueiro parecendo que tinha sido encontrada no lixão da Mãe Lucinda. Comprei o kit sobrevivência para iniciantes e fui pra casa dormir mais.

E então nasceu um novo dia, nublado mas bem quente. Peguei um táxi de motorista indiano e não entendia nada do que ele falava, pra encontrar uma amiga carioca que fiz na fila da imigração. Andei pelo centro da cidade que aqui se chama apenas de “city”, sem medo de ser assaltada. Atravessei a ponte e fui até South Bank, um ponto turístico com uma roda gigante, muitas flores, parquinho de criança, piscina pública, restaurantes, prainha artificial, muito piquenique e tudo muito limpo. Que lugar lindo! E por falar em lindo, como pode ter tanto homem bonito nesse lugar? E eu estou vingando todas nós aí do Brasil que nao podem passar em frente à uma construção, e olho pra todos os que meus olhos podem alcançar porque Deus escondeu os boy magia nessa ilha isolada, só pode ser. Até um deles puxar papo comigo no ponto de ônibus e eu fiz o que? Fiquei nervousa, claro e falei tudo errado, porque quando o príncipe vem no cavalo branco a gente corre com medo de ser o Sérgio Mallandro em Lua de Cristal. Ah, o detalhe fica pro momento que ele me avisou que meu ônibus estava vindo, porque na placa dizia que passaria às 17h49, eu não acreditei nessa placa porque né… Enfim, eram mesmo 17h49 então agradeci e entrei no ônibus sendo cumprimentada pelo motorista super simpático e sentei em um dos assentos de veludo com o logotipo da cidade de Brisbane.img_20161120_131753959_hdr

Hoje está um dia lindíssimo de sol. Acordei, fui tomar café da manhã, abri a gaveta pra pegar uma faca e vi uma barata, fechei a gaveta fingi que não vi nada e peguei a colher que eu havia acabado de comer o Sucrilhos pra passar a manteiga no pão, mas depois lembrei que a colher estava na gaveta antes de comer o Sucrilhos. Tudo bem, bora fazendo… Escrevi tudo isso sentada de frente para o rio num parque ao lado da minha casa. Cheio de crianças, cachorros, famílias, idosos, fazendo piquenique ou simplesmente sentados contemplando o que eles tem de mais valioso: a vida. Ainda é uma bela tarde de domingo porque eu estou 12h no futuro e eu já fiz minha oração, li a Bíblia, tirei 865 fotos e só 3 ficaram boas, já agradeci tanto por estar aqui, porque no final a gente percebe que não nos falta nada e viver é mesmo um presente de Deus.❤

A(s) Despedida(s)

Eu já tinha planejado que só contaria o que estava para acontecer na minha vida quando o visto saísse. Aquele visto lá, de 25 dias úteis! Então comecei a pensar como é que eu marcaria uma festa de despedida sem que as pessoas saibam que é uma despedida? Cada hora eu inventava uma história tipo “vou embora pra BH”, “vou comemorar uma nova etapa da vida”, “vou comemorar a saída do emprego”… Mas independente de qual era o motivo que eu havia inventado, eu sempre deixava destacado: será o dia mais importante da minha vida. Eu idealizava várias coisas sobre esse dia e já tinha feito até o convite que eu iria enviar para as poucas pessoas que escolhi passar esse dia comigo, mas só enviaria quando o visto saísse. O tempo foi passando e nada de notícias do visto… então uma semana antes da data marcada a única opção era contar o motivo do tal churrasco, mas só fui convencida a contar depois de um esculacho que eu levei das duas únicas pessoas que sempre souberam de tudo desde o começo do ano e quando argumentaram com os porquês eu deveria contar às pessoas mesmo sem ainda ter o visto concedido. Aí contei pra todo mundo e foi só alegria!

Eu ganhei de presente a casa pra fazer a despedida e de quebra minha amiga e a mãe dela me ajudaram em absolutamente tudo. Eu só tive de pensar nas comidas, preparar a parte da cozinha e alguns pequenos detalhes da decoração. Elas tornaram tudo mais especial. E não é que o dia foi perfeito? QUE DIA! Tinha gente de perto, gente de muito longe, gente que ia ter bebês dois dias depois, gente que trabalhou, gente que estudou, gente que tinha compromisso, gente que ia viajar, gente que não ia fazer outra coisa que não fosse estar lá, gente recém operada se recuperando de cirurgia, gente que jamais deixaria de ir e claro, meus pais estavam lá também… Senti tanto amor por aquele momento que se tivesse acabado o mundo lá fora, eu estava à salvo ali dentro. Que dia lindo que Deus preparou! Foi uma troca de energia tão boa que desconfio que não poderia ter sido melhor.

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Deus sabe que eu não podia esbanjar dando uma festa ao estilo casamento real de Keith Middleton com o Príncipe Willian, afinal quem fez RI é tipo pobre loco vendedor de artesanato. Não, não, não eu não sou hipocondríaca, mas eu fico temerosa, eu fico nervosa de não poder oferecer uma festa tão boa como eu desejava. Mas foi um dia de fartura! Fartura de comida, de bebida, de carne, de gratidão, de amor, de amizade e de alegria. E como Ele é o Deus que faz muito mais do que imaginamos, depois dessa festa de despedida absurdamente sensacional eu fui ganhando outras despedidas tipo parte II, parte III, parte IV… Teve a noite das garotas mais lindas com muita risada, muitas palmas e uns véio tocando rock que ninguém conhecia. Teve a festa de despedida mais animada da cidade com muito truco, muita diversão, muita gente boa, tão agitada que até a polícia apareceu. Teve a viagem pra BH com muita despedida de família e muita comida, tanta que voltei pra São Paulo parecendo a Marcelina. Teve um super churrasco em Guarulhos, com muitas boas lembranças de família e com um belíssimo presente de Deus, um arco íris lindo que apareceu depois de uma super chuva, firmando a aliança que Ele fez conosco. Teve almoço com amiga de infância com muita comida japonesa,  muita fofoca em dia e muita saudade matada. E pra fechar com chave de ouro as despedidas, um belíssimo fim de semana Auto Suficiente com muitas gargalhadas, muita alegria, muita emoção, muita vontade de casar também, muito amor, muitas selfies e muitos abraços.

Eu detestava me despedir porque nunca quero que a pessoa vá, mas dessa vez quem tá indo sou eu. E eu posso dizer que mudei meu conceito sobre isso, porque triste mesmo é quando alguém se vai pra não voltar e ainda que você tenha sido presente na vida dela com mais intensidade antes dela partir, você gostaria de poder estar com ela só mais uma vez e dar aquele abraço apertado. É partir com mágoa porque o ego falou mais alto. É partir sem dar a devida atenção a quem te quer bem e não ter a chance de pedir perdão. Triste é a Rose se despedir do Jack congelado porque ele é burro e não viu que ele também cabia naquele pedaço de madeira. É perguntar se no céu tem pão e não ouvir a resposta. Isso é triste, mas se despedir das pessoas mais especiais da sua vida porque você tá partindo pra viver um sonho, não é. É celebração de vida, de realização, de gratidão e de amor… Amor multiplica e quem tem amor na vida tem sorte. Aos meus, muito obrigada por tudo e até breve! ♥

Quando tudo começou…

Faltando 40 dias para o Grande Dia eu comecei a escrever meu primeiro post porque estava super ansiosa. Sem saber muito o que eu poderia esperar desse tempo em que só restava aguardar a resposta do visto de uma sagitariana que tem uma ansiedade crônica, mas que optou por um intercâmbio para um país que te dá nada mais nada menos do que 25 dias úteis para responder à solicitação de visto. Aliás, a paciência foi mais manifestada neste ano do que o #ForaDilma #ForaTemer, é impressionante como quando a gente tem uma meta as coisas só acontecem quando você aprende a ser paciente. E nenhum plano pode ser traçado sem que você tenha certeza do que quer (e isso inclui abrir mão de algumas coisas) e transforme o projeto em sonho, e sonhos exigem uma boa dose de fé e muitas xícaras de café, porque até lá tem trabalho e muito chão pela frente!

Desde os meus 18 anos eu desejava intensamente fazer um intercâmbio, mas várias coisas aconteciam pra que eu acabasse perdendo o foco. Daí no final de 2015 eu pensei “cara, preciso realizar meu maior sonho!”, mas eu não tinha dinheiro e nem perspectiva de tê-lo. Pensei em algum trampo extra que me ajudasse a juntar a grana, foi então que num dia sem energia elétrica na empresa uma alma iluminada disse: Andreza, porque você não veimg_20161028_150012nde brigadeiros? Bom, considerando que eu só fazia brigadeiro em casa pra mim mesma, e numa daquelas noites que você tá no bueiro é claro que ele fica uma delícia. Mas aceitei o desafio e resolvi que com produtos de qualidade, carinho e empenho eu poderia vender algo que fosse bom. Dia 16 de Novembro de 2015 eu vendi meu primeiro brigadeiro, e o sucesso foi tão grande que de lá pra cá foram criados mais 6 sabores de brigadeiros, 1 produto novo, minha marca oficial, a Nuvens de Brigadeiros, e muitas, muuuuitas noites de sono sacrificadas, porque eu chegava do trabalho, fazia os brigadeiros e acordava na madruga boladona do dia seguinte pra enrolar os docinhos e levar pra vender na empresa. E é incrível como o lance da atitude de dar o primeiro passo causa um movimento na sua vida, é o efeito da pedra jogada na água, não há como impedir que ao redor as coisas se mantenham inertes e então tudo flui, caminha, se move… e Deus sabia que com o salário que eu tinha eu levaria alguns anos pra conseguir o que precisava.

E foi aí que eu fui chamada pra trabalhar em uma empresa que me pagaria mais que o dobro! Meus olhos brilharam, mas eu não podia trocar o certo pelo duvidoso e só encarei sair da minha confortável posição quando Deus me disse pra seguir em frente. Fui. Caramba, como foi difícil! Gente, tudo aquilo que eu acreditava foi por água abaixo. Tudo o que eu imaginava de mim, do meu trabalho e do certo e o errado foram colocados à prova. Mas Ele não tinha me dito pra ir? – eu dizia – E agora eu tô aqui chorando no banheiro, querendo tacar fogo no cabelo do cliente, avisando que vou embora no meio do dia por mensagem de texto e a beira de um ataque de nervos. Que que eu tô fazendo da minha vida, meu Deus? Aí num desses dias de desespero Ele mandou o Espírito Santo soprar ao meu ouvido: “Eu não te falei que você vai conseguir? Fica em paz, sou Eu quem te sustento”. E eu respirei fundo e segui. Cheguei até aqui porque o Senhor me ajudou e pra isso Ele colocou nesse meu caminho algumas pessoas que me ajudaram a não perder o equilíbrio. E vou t dizer uma coisa, como é grande a minha gratidão por essas pessoas, porque sem elas eu jamais teria conseguido e cada uma delas exerceu brilhantemente o papel de realizador de sonhos.

Se eu disser que todo o meu ano de 2016 foi exatamente como planejado, vocês acreditam? Absolutamente tudo aconteceu de acordo com os meus planos, exceto pela perda repentina do meu avô que foi um baque e me fez desmoronar emocionalmente. Que tristeza foi aquela que tomou conta de mim? Um choro compulsivo e um aperto no peito tão grande! Mas é nas horas que se perde o chão que a gente aprende a voar, aprende também que a vida tem um valor inestimável e ela é um sopro, passa num piscar de olhos. Enfim, eu tinha um sonho a realizar e eu sei que ele teria muito orgulho da neta caçula. Limpei as lágrimas, que neste ano pareciam o Vasco de tanto que caíam, e com o cabelo solto de prancha, mas muitas vezes me arrastando, segui em frente e agora tô aqui contando que dia 16 de Novembro de 2016 realizo o maior sonho da minha vida. Sim, 16/11, o mesmo dia que eu vendi meu primeiro brigadeiro. Coincidência? Pode ser, mas acredito muito mais em planos de Deus, porque a vida acontece a um passo da sua zona de conforto, mas tem que levantar a bunda da cadeira, arregaçar as mangas, estar disposto a relevar gente negativa que não sonha e também não quer que você sonhe, pensar fora da caixinha, ignorar as críticas e meter os joelhos no chão. Porque o Senhor te dá infinitamente mais do que você pode querer ou pensar, você só precisa ter fé! ♥